28 de março de 2010

E o Óscar vai para...




...Joseph Ratzinger, o feiticeiro! Pela sua maravilhosa prestação no "Domingo de Ramos".

A forma extraordinária como consegue transformar o facto de a Igreja Católica ter escondido e abafado, durante anos, casos de pedofilia em praticamente todos os continentes, numa perseguição à própria Igreja. As vítimas de pedofilia não tinham o direito, não se faz.

Segundo as palavras do próprio, hoje, a Igreja não se deixará intimidar.

Trata-se seguramente de uma perseguição sanguinária que estão a fazer à Igreja, de um acossamento sem igual. Como é que vítimas de abuso sexual se atrevem a acusar membros da Igreja dos abusos e, pior ainda, a Igreja de abafar esses abusos?!

A seguir vai dizer que esta é mais uma cruzada santa a juntar às existentes (e sempre justas como certamente se lembrarão) na história honrada da instituição.

Este senhor, a quem não reconheço qualquer autoridade, devia ter vergonha.

No entanto, admito que, dado o estado avançado de senilidade de que padece, não tenha sido ele a escrever o discurso.

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Já agora, é com especial prazer que aqui introduzo esta pequena consideração, uma vez que o sub-tema deste post é a hipocrisia:

Porque não passam filmes "porno" na televisão nacional? Não sabem? Eu respondo, porque possuem cenas de sexo explícito que não são permitidas e podem ferir susceptibilidades.

Mas, por outro lado, podemos assistir constantemente a filmes que mostram, sem pudor, defendidos por uma argola vermelha no canto do televisor, cenas de violência explícita. Pescoços cortados, pernas amputadas, fracturas expostas e olhos arrancados são cada vez mais frequentes na programação diária dos diferentes canais nacionais.

Talvez eu seja doido, mas a mensagem transmitida por cenas de amor e sexo explícito não é muito mais positiva do que aquela que é transmitida por cenas de violência explícita?

15 de março de 2010

Luta

As adversidades fortalecem-nos. Isto é, se não nos varrerem os pés do chão. A História está repleta de momentos que nos lembram isto mesmo.

A abolição da escravatura aconteceu em Portugal há pouco mais de 150 anos. Parece incrível, imaginem, se pensarmos nas gerações da nossa própria família, talvez não pareça ter sido assim há tanto tempo. A violência doméstica nem sempre foi considerada um crime e há países onde ainda é permitida. O holocausto está ainda bem fresco na memória de todos nós, e pelos piores motivos. Existem ainda no planeta pessoas que sobreviveram a isto. Hiroshima, Amazónia, Chernobyl e Auschwitz são nomes de locais que nos recordam a luta e as adversidades que alguns seres humanos tiveram que enfrentar. Tento imaginar o que sentiram os negros, obrigados a viver como animais, sem direito a opiniões ou a uma vida normal. Quantas mentes brilhantes se perderam porque as esterilizámos ou limitámos. E os Judeus? Será que um deles não teria descoberto a cura para o cancro ou a sida? Porque será que fizemos tanto mal a nós próprios?

Como eu dizia, as adversidades podem fortalecer-nos. Acho que as adversidades que alguns seres humanos tiveram que enfrentar acabaram por moldar a sua índole, o seu carácter, mas também alteraram o ADN da Humanidade de forma irreversível. Enfraqueceram-nos a todos. Juntos, teríamos sido mais fortes, teríamos saltado anos de ignorância.
É rídiculo, mas historicamente, as alturas em que se revelou mais a nossa ignorância não aconteceram nos primórdios, porque aí pudemos ver revelado o génio humano, das mais variadas formas. As fases onde fomos mais ignorantes foram, sem dúvida, a Idade Média, considerada por muitos, e a muitos níveis (cultural, social, científico), como a Idade das Trevas; e, na minha opinião, os últimos dois séculos, dois séculos onde provámos, dia após dia, que não merecemos viver neste mundo. Irrecuperável, é a palavra que se desenha na minha mente quando penso no tempo que perdemos.

Eu não quero perder tempo. A vida é demasiado curta. Em milhões de anos de história neste planeta, a nossa vida não representa mais do que um grão de areia no meio de um infinito deserto.
Quero amar intensamente, quero passar tempo com as pessoas da minha vida, com os meus amigos. Quero ser feliz, e sou, porque peço muito pouco.

As adversidades que me vão surgindo, os obstáculos que se colocam no meu caminho, não me interessam. Desprezo-os. Rio-me deles. Estou demasiado concentrado na minha vida para perder tempo com o que não interessa. Só eu sei o valor da minha vida e ninguém lhe vai dar mais valor do que eu. Posso estar morto daqui a 1 hora.
O que me interessa se o trabalho correu mal, ou se o meu clube perdeu? O que me interessa se está a chover no meu piquenique? Eu é que escolho como quero passar os dias em que tenho a sorte de respirar. Quero passá-los bem disposto.

8 de março de 2010

Diga?

Zé: Ouviste falar do tremor de terra na Turquia?
Quim: Sim! Já viste bem? O mundo está para acabar!
Zé: Que exagero! Não achas que estás a ser um bocado "fantalista"?
Quim: "Fanta" quê?
Zé: "Fantalista" pá! Significa que estás a ver fantasmas onde eles não existem!
Quim: Mas custou-me mesmo foi ver aquilo na Madeira! Uma tragédia!
Zé: Não viste logo o Sócrates a ajudar a malta!? Isto são só interesses! Nestas coisas da política "uma mãe lava a outra"! Aquilo acabou por ser bom para os dois.
Quim: "Mãe"?!
Zé: Sim. Tenho que te explicar tudo?
Quim: Bem, mas também foi bom para os Madeirenses esse apoio.
Zé: Sim, de certa forma, foi uma "almofada de ar fresco" para aquela gente!
Quim: Humm, pois, acho que sim que foi.
Zé: A verdade é que aquilo também tem muita "por paganda" à mistura.
Quim: Acho que já estás a divagar, não te parece Zé!?
Zé: A divagar??!! Pois fica sabendo que a "divagar" se vai ao longe.
Quim: Acho que não é bem assim o provérbio!
Zé: Olha, queres ver que agora sabes tudo, deves ser "ovnisciente" não!?
Quim: Queres dizer omnisciente certo?
Zé: Não senhor, quero dizer que tens a merda da mania como os gajos que vêem os ovnis e que acham que sabem tudo!
Quim: Eh pá! Não te enerves, esquece lá isso.
Zé: Não me enervo não, tenho que ter cuidado com os nervos!
Quim: Então?!
Zé: Fui fazer um exame ao "cu da são" e o doutor disse-me que tenho que andar mais calmo.
Quim: Quê!? Um exame a quem?
Zé: Ao "cu da são"! Não é brincadeira nenhuma! Posso ter uma "taquitardia", pelo menos foi o que ele disse.
Quim: Isso era capaz de ser grave, mas bom, se é tardia pode ser que ainda vivas mais uns anos!
Zé: Qu' é lá essa conversa pá! Vai de "metro" Satanás!!! Queres que vista o pijama de madeira ou quê!
Quim: Não, homem! Quero é que vivas muitos e bons anos. É que eu gosto falar contigo, deixa-me sempre bem disposto.
Zé: Pois, pois. Estás gozar à minha conta não é! Pois sabes que mais? Não me dilaceres com vitopérios inóspitos!
Quim: Quê!??

1 de março de 2010

Será um pássaro? Um avião? Não, é o Papa.




O Papa Bento XVI é esperado em Portugal a 11 de Maio. Não vejo nada de extraordinário neste facto. No entanto, há quem espere ansiosamente este dia.

Não pude deixar de constatar todo o rebuliço que se registou nas hostes católicas por todo o país. O Papa vem a Portugal. Uau! Assistia, num destes dias, a uma peça jornalística que mencionava a passagem do Papa por Portugal. Criou-se um logótipo para a passagem do Papa por Portugal!! Absurdo, no mínimo.

Mas o Papa é o quê, algum cometa?! Só volta a passar daqui a 120 anos?

Não me lembro se alguma vez isto tinha sido feito com o anterior Papa, o Papa Marioneta como o baptizei numa alusão ao facto de, nos últimos anos, se movimentar apenas preso por fios invisíveis, seguramente, parecendo uma marioneta sem arranjo.

Não sei se já tiveram oportunidade de verificar o site criado para a ocasião mas deixo-vos a sugestão: http://www.bentoxviportugal.pt/. Façam uma breve visita, registem mentalmente todo o "estaminé" montado à volta desta visita e, se quiserem, façam como eu e estabeleçam, a título de curiosidade, aquele que acham ser o preço de tudo isto. Façam aquilo que nós, portugueses, sabemos fazer melhor: um orçamento. Será que sou só eu que acho inadmissível esta ostentação de uma instituição que é suposto ter mais valores a Bolsa? Numa altura em que por todo o mundo se multiplicam actos de solidariedade vindos das famílias mais pobres,em resposta às catástrofes naturais que se têm abatido sobre algumas populações do planeta, a Igreja Católica monta um espectáculo caríssimo, exagerado. Só o palco gigantesco que estão a montar dava para reerguer milhares de casas no Haiti e na Madeira.

Mas isto digo eu, que não percebo nada do assunto.

23 de fevereiro de 2010

As tuas suposições...

Provavelmente julgaste que eu esqueceria aquele momento, que não veria nele qualquer significado. Achaste que eu estava contigo por capricho, que serias mais uma conquista. Espreitaste-me depois do beijo com aquele olhar derrotado de quem se entregou e não queria. Estava evidente nos teus olhos esse sentimento. Eu só podia ser mais um daqueles homens com quem te cruzaste toda a tua vida, não podia ser diferente desta vez. Era impossível, para ti, que eu pudesse, na verdade interessar-me por mais do que me deste naquela noite. Apercebi-me de todas as fases da tua entrega: primeiro a resistência, depois a rendição, e, por último e infelizmente, a mudança de atitude. Assumiste que eu era mais um e atiraste-te de cabeça, mas apenas com o teu corpo e nada mais. Nessa noite não tive mais nada. Infelizmente para ambos, só hoje percebi o que aconteceu. Na altura pareceste-me apenas fútil, mais uma que só me procurou para saciar um desejo pontual, e por isso não te liguei.
Em verdade te digo que procurava bem mais do que o que tive. O sexo não foi nada de extraordinário, mas a culpa não foi tua. O problema é que o sexo pelo sexo é bom, mas não é o melhor. Devias ter-me dado tempo para te conhecer, apaixonar-me pelo teu espírito indomável, pelo teu intelecto, ao ponto de ele me excitar e de eu explodir de prazer, não por estar a ter uma boa noite de sexo, mas por estar a tê-la contigo.
Quis saber quem és, do que tens medo, com o que rejubilas, se andas de pantufas em casa, ou descalça, se gostas de adormecer no sofá, se saltas da cadeira nos filmes de terror, como tratas os teus amigos e família, se gostas de pipocas com açúcar, ou com sal, ou se as detestas como eu, se gostas de acordar mais cedo ou mais tarde, se gostas de massagens, se choras com alguns livros que lês, ou se não lês livro nenhum. Tornaste tudo isto impossível.
Este sou eu.
Para nós, é tarde, perdeu-se o momento. Além disso, não gosto que me julguem precipitadamente. Agiste como se já tivesses conhecido muitos como eu e isso irrita-me, porque eu sou único.

19 de fevereiro de 2010

Compromissos

Considero-me um cavalheiro.
Para quem está a pensar no que poderei querer dizer com isto, esclareço: ser cavalheiro é mais do que abrir a porta do carro para uma senhora entrar, ou segurar a porta do restaurante enquanto alguém entra, ou dar prioridade a uma senhora para se sentar no autocarro. Para mim, ser-se um cavalheiro é mais do que ser porteiro ou ficar de pé quando nos queremos sentar. Especialmente, porque para se ser um cavalheiro, o nosso comportamento deve alargar-se a todos os géneros e não apenas às senhoras. Isto leva-me até ao conceito que me parece ser o que melhor distingue um verdadeiro cavalheiro dos demais aspirantes: compromisso. O conceito de compromisso é para mim o mais importante em qualquer relacionamento seja ele pessoal, profissional ou amoroso.
O nosso país tem um problema em assumir um compromisso com a pontualidade. Há muito quem faça alarde de não fazer esperar um cliente, mas em contrapartida deixa um amigo à espera trinta minutos, ou atrasa-se para um jantar com a esposa. Não se faz esperar um cliente, nem um amigo e muito menos uma mulher.
Mais, gostava que me explicassem as marcações para as "dez, dez e meia", que acabam sempre por resultar numa chegada às dez e quarenta e cinco, e o atrasado ainda atira "só me atrasei quinze minutos". Na verdade, quem chegou às dez esteve 45m à espera, mas isto digo eu que sou maluco. Em todas as minhas relações, se sou vítima de um atraso vou-me embora, não espero. Fui desrespeitado. A maior parte das pessoas que se atrasa comigo, nunca perdeu um avião, ou um autocarro, ou um comboio, o que significa que não me respeitam o suficiente para me presentear com a pontualidade.
A maior parte de nós foge da palavra compromisso. Num grupo de amigos, sempre que se faz uma marcação para um programa qualquer há sempre quem diga "eu depois confirmo-te" que é o mesmo que dizer "não me quero comprometer já porque depois pode aparecer um programa melhor, mas por outro lado não quero já descartar este porque posso ficar sem programa".
Eu nunca tive problemas em responder, perante um convite, "não vou porque não me apetece". A honestidade é uma das melhores provas de cavalheirismo que podemos dar. Nunca ninguém me penalizou por dizer a verdade, nem perdi amigos. Eles assim sabem que quando estou com eles é porque quero verdadeiramente estar lá. Não faço nada contrariado ou por não ter nada melhor para fazer.
Por último, falo do compromisso da lealdade. Para mim, talvez o mais importante. Não se trai um amigo, não se trai um cliente e acima de tudo, não se trai uma mulher. Não sou santo, nem almejo tal sorte. Naturalmente que posso achar outra mulher interessante. Mas tenho um compromisso com a minha mulher e enquanto o tiver só há espaço para ela. A não ser que se abra espaço para uma terceira pessoa ou mais duas, quem sabe, na relação e que seja de comum acordo. Estou sempre aberto a novidades.
Cada vez menos se respeitam compromissos, e julgo que isso terá a ver um pouco também com a crescente facilidade de comunicação. Antigamente agendava-se algo, e se uma das partes faltasse isso resultava sempre numa longa espera. Não havia como avisar, e quem esperava tinha sempre receio de ir embora e a outra parte aparecer imediatamente a seguir. Hoje, é fácil avisar. Liga-se a dizer "estou quase a chegar", ou " estou atrasado" ou "surgiu um imprevisto, já não posso aparecer." Mas não devemos deixar que isso iniba o nosso bom senso e a arte de não falhar.
Devemos assumir e respeitar compromissos. Não é muito complicado.
Não confio em alguém que esteja constantemente a "furar" compromissos, quaisquer que sejam.

17 de fevereiro de 2010

Bem Vindo Alfredo

Apenas uma nota de agradecimento a Alfredo Ribeiro, que se tornou seguidor do Uatafak.
Aproveito para vos aconselhar um dos seus blogs: http://leiriacidadedolis.blogspot.com/
Quem, como eu, adorar a cidade de Leiria vai certamente gostar do que o Alfredo tem colocado na blogosfera.
Até breve.

16 de fevereiro de 2010

Mais um dia...

Olho pela janela. A chuva cai lá fora, indiferente a feriados, carnavais, festas. Por mim pode cair, não gosto de Carnaval, pelo menos como o conhecemos.
O Carnaval que nasceu como uma celebração do adeus à carne, ligado à religião, não é bem o meu Carnaval. Quando a Igreja Católica implementou a Semana Santa, que deveria ser antecedida pela Quaresma (quarenta dias de jejum) a população começou a sentir uma crescente necessidade de festejar antes de dizer "adeus à carne" na Quarta-Feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. Isto aconteceu no Séc. XI e portanto, na sua origem, o Carnaval nasce como uma festa que até pode ser considerada pagã. Uma espécie de "Ai é??! Não podemos comer carne??!! Então espera lá que esta semana vou-me vingar!". Esta característica do Carnaval já é mais do meu agrado, confesso.
Quando penso em Carnaval penso em vários convidados mascarados, misturados numa orgia de carne e de sentidos, ao som de "Mão Morta". Um ritual de carne, mas não da que se come. Isso sim, era Carnaval e aí sim, até eu me mascarava. No entanto, para já, não é possível.
Assim, aproveitei o dia de hoje para outras coisas e à tarde, zombei da chuva que caía e fui correr. Foram 4.5km maravilhosos, em que me cruzei no máximo com duas pessoas. Já fui perto do final da tarde, estava já a anoitecer quando comecei. A cada metro que corro sinto-me mais limpo por dentro. Apenas eu e a cidade, com a banda sonora que eu escolho. Hoje, escolhi James Horner (banda sonora de Avatar) e foram momentos extraordinários. Adoro correr, e à chuva dá-me um prazer especial. Acabei sentado num muro, olhando o Castelo de Leiria, iluminado, imponente, e fiz a limpeza habitual. Esvaziei a mente, senti a chuva a cair-me no rosto, pensei em tudo e em nada. Renovei-me.
É a minha terapia e tenho necessidade de a fazer várias vezes por semana. Acho que todos devemos ter um terapia nossa, aquele momento em que conseguimos um olhar para dentro de nós e renovamos a energia para voltar ao mundo real.
Estou pronto para amanhã.

7 de fevereiro de 2010

Quem és tu?

Passo por ti. Acontece muitas vezes. Não dás por mim, não me conheces, a minha existência choca com a indiferença nos teus olhos...de cada vez que passo. Não sei quem és. Intrigas-me. Fico a pensar no som da tua voz, que nunca ouvi. Nunca te vi andar, tão pouco, porque vejo-te sempre parada. Sei que esperas alguém e não sei quem é. Sei que não sou eu. Não me esperas, a mim não. Sei que és bela, isso eu sei. Os teus cabelos negros e escorridos beijam os teus ombros, criando para a tua a face a mais bela moldura. A arte que é o teu rosto merece cada segundo do meu olhar. Os teus olhos negros, fundos como poços, parecem puxar-me para me aprisionar. És simbiose e harmonia da cabeça aos pés.
Inicialmente, era enorme a minha curiosidade em conhecer-te. Hoje, desisti dessa ideia. Tenho receio. E se falares e a tua voz me causar diferença, e se falares mal, se pronunciares mal as palavras? E se fores fútil, e se a tua falta de intelecto for demasiado evidente, se me desapontar?

Prefiro assim.

Continua à espera.

Eu vou continuar a passar.

2 de fevereiro de 2010

Avatar

Não podia deixar de lhe fazer referência. Fui ver o Avatar há algumas semanas. Confesso que durante o tempo que ouvi falar do filme, não só através das publicações da especialidade que habitualmente acompanho e consulto, mas também através das pessoas que o foram ver antes de mim, fiquei com a ideia de que talvez houvesse algum exagero nos elogios que eram feitos a mais esta obra de James Cameron. O realizador está longe de se encontrar entre as minhas preferências. Na verdade não pensei que o "obreiro" de Titanic fosse capaz de algo que fosse do meu interesse. Desconfiei de "Avatar". Nunca duvidei que a explosão de cores fosse real e que fosse efectivamente como contavam. Confesso aqui que a minha primeira ideia antes de ver o filme foi: "mais uns milhões gastos num capricho de Cameron sem o mínimo conteúdo ou argumento, apenas para deleitar a vista esquecendo o intelecto" - ainda não esqueci o fraco, fraquíssimo, "Titanic".
Vi o filme. Mudei de ideias.
Sou da opinião de que só os burros nunca mudam de ideias.
Devo manifestar que "Avatar" se apresentou, para mim, como uma agradável surpresa. Não que o argumento seja original (toda a gente se lembra de "Pocahontas"): um povo invasor, um povo nativo, uma guerra invasora e um amor que nos faz questionar os motivos de uns e abraçar os motivos de outros.
Mas a inteligência de "Avatar" não está no argumento, ainda que eu ache que, não sendo original, ele foi bem explorado. A inteligência deste filme vai, também, muito além da extraordinária tecnologia. Contudo, apesar de não ser o melhor filme que vi, foi sem dúvida o mais belo. É impossível não nos apaixonarmos pelo planeta Pandora. Mas, dizia eu, a inteligência de "Avatar" está nos pormenores: a cultura simples e pagã dos Na'vi, entretanto já criticada pela habitual estupidez natural da Igreja Católica; a ligação de um povo à natureza (fauna e flora) de uma forma fantástica e das mais belas alguma vez retratadas; a retribuição, por parte da Natureza, da adoração dos Nav'i. Tudo isto são aspectos que, sobretudo Hoje, são revestidos de uma assinalável pertinência. Se tiverem a disponibilidade e a paciência que a tarefa exige, atentem na construção e complexidade linguística dos Nav'i, nas conversas desenvolvidas na língua nativa. Brilhante e bela.
A estrutura moral das personagens está bem conseguida e bem assente nas suas prioridades, isto é, são personagens com falhas e com estruturas comportamentais possíveis, por serem imperfeitas. Jake Sully, por exemplo, decide abandonar o seu mundo e o seu corpo para se tornar a consciência definitiva de um avatar, mas não o faz apenas por amor, fá-lo também porque tem naquele mundo algo que não tem no seu: a capacidade de andar.
De todas as personagens, porém, a minha preferência recai sobre a mais pura e perfeita: Neytiri. A graciosidade, a destreza, a força que disfarça as fragilidades, a beleza e a voz sensual de Zoe Saldana fazem com que esta personagem tenha entrado directamente para o primeiro lugar das personagens mais sensuais e cativantes de todos os tempos no cinema, na minha opinião claro.
Bom filme.

26 de janeiro de 2010

Afinal passei...

Sobrevivi a mais uma passagem de ano. Acabei o ano em tom fatalista e da mesma forma inicio o de 2010. Gosto de estar sempre a falar da minha própria morte. Assim quando "bater o botim" toda a gente vai comentar: "Eh pá, parece que ele estava a adivinhar. Pressentiu a própria morte!" Isto vai conferir à minha morte contornos de sobrenatural e de paranormal que só poderão favorecer a minha imagem post-mortem. Agora ando a pensar no que fazer para aumentar ainda mais esta ideia quando deixar o maravilhoso mundo dos corpos andantes. Algo que me permita partir em grande estilo.
Aproveito para vos alertar para a crescente falta de qualidade deste blog. Se acham que isto até agora tem sido mau, preparem-se, porque a tendência é para piorar durante este ano.
Já formulei todos os meus objectivos para este ano...e já reformulei muitos deles quando percebi que devo ter bebido demais na Passagem de Ano. No meio de todos os sítios onde quero ir, de todas as pessoas com quem quero, finalmente, jantar, de todos os livros que pretendo ler, dos quilómetros que pretendo correr (só de pensar...ufa!) e das ambições profissionais, acho que será um bom ano. Salvo se eu vier a falecer até lá (vocês não estão a ouvir mas acabou de tocar na minha cabeça a música do genérico dos x-files).
Pensei num desejo para este ano que já vem sendo uma espécie de "habitué" na minha mente a cada ano que passa, simplesmente porque está ainda por realizar. Não o vou partilhar convosco, hoje não. Quem sabe se ele se realizar...

22 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal

Nesta quadra tão singular, cumpre-me deixar aqui algumas palavras de teor mais especial. Durante os próximos dias não devo aqui escrever mais nada. Estou oficialmente retirado até 2010.

Desejo a todos o Natal que desejam.

Para mim desejo...bom...já lá vamos.

Não é uma quadra que me agrade particularmente. É curioso pensar que é nesta altura que muitos de nós "decidem" morrer. Como se esta fosse a altura certa para deixar a vida, ou porque talvez seja, o Natal, a derradeira prova de que estamos sós. Não deixa de ser intrigante a nossa imbecil predisposição para sermos diferentes, nesta quadra, de tudo aquilo que somos durante o resto do ano. Damos esmolas, gastamos dinheiro com pessoas que habitualmente desprezamos. Chamamos família às pessoas que vêm jantar uma vez por ano connosco. Comovemo-nos com histórias que noutras alturas não nos interessariam. Usamos cachecóis, sobretudos, luvas, pensamos na neve quando não a temos, assistimos a filmes lamechas e sentimo-nos bem, aconchegados, satisfeitos, ligados ao resto do planeta de uma forma estranha. Estranha porque não se entranha nos outros cerca de 360 dias. Entramos numa espiral de sentimentos provocados pela euforia geral em torno do Natal, provocados pelos meios de comunicação. Sonhamos. Sonhamos para acordar, ano após ano, nos mesmos sítios e sermos, de novo, as mesmas pessoas.
Não vou ser hipócrita ao ponto de entrar em clichés anti-sociais. Também eu me deixo levar, de certa forma, por alguns destes sentimentos ou emoções. Também é verdade que os consigo simular ou fingir na perfeição.
Para mim, o Natal não passa de uma espécie de divã de psicólogo, em que deixamos sair todos os segredos que acumulámos. Suspiramos, viramo-nos para o lado, uma e outra vez, tentamos negar que tenhamos sentido coisas assim, muito menos pensado. Saímos porta fora, eventualmente mais leves, e partimos para aquela que é a tentativa de mudar o que está mal e manter o que está bem, se possível melhorar: O Ano Novo.

E para mim... desejo chegar ao Natal e passar para o Ano Novo. Já era bem bom.

Até 2010.

e.t.: se não voltarem a ver posts meus, é porque não passei.

29 de novembro de 2009

!

nao sei quando vais ler estil, tb nao sei se vais querer responder. so tenho de aceitar. magoa-me mas é uma decisao tua. nao sei o que dizer nem porque estou a escrever. mas a verdade é que nao consigo passar sem te dizer alguma coisa. a vida nao é facil e Às vezes muito dificil de a encarar. a verdade é que ultimamente fiquei muito magoada com algumas pessoas à minha volta. acho que por mais mal que faça ou tenho feito na vida nao mereço certas situaçoes. se calhar mereço sofrer... nao sei.tenho de desabafar, e por mais estranho que te possa parecer és a unica pessoa com quem me sinto bem a fazer. se calhar pela cumplicidade que sempre senti. há dias em que acordo e nao tenho vontade de levantar a cabeça pois nao consigo que nada me corra bem. nao sou feliz cmg propria. nao te sintas culpado. nao quero isso.a verdade é que depois de tantos meses ainda sinto a tua falta ao meu lado na cama, de te abraçar, do teu cheiro.... aiiiiii....por mais que tente nao consigo estar com mais ninguem. tive oportunidades para isso, mas nao consigo, pois nao era justo estar com alguem e nao ter sentimento.um destes dias estava na rua e alguém passou e tinha o teu cheiro. nao imaginas o que custou. nao te posso obrigar a nada nem tenho o direito. nao posso mandar na tua vida. tenho ciumes, admito. nao sei se tenho esperanças ou nao. mas se queres deixar de dar noticias, nao te posso pressionar para o contrario.claro que gostava de saber o que fazes, onde andas, com quem estás. poder controlar-te. mas quem sou eu para isso? ninguem.entre poder estar com uma pessoa que não amo, prefiro ficar sozinha. porque na minha vida só existiu um amor, nao vale a pena dizer-te quem... pois tu sabes bem.tenho dias em que olho para tudo e penso na melhor forma de deixar de fazer peso e dar problemas. é isso que eu sou, um problema. nao ha um dia em que nao deseje um amo-te ou um beijo. como te disse ontem tomei algumas decisoes e uma delas foi deixar de acreditar e dar confiança a uma pessoa. acho que as atitudes dele têm uma razao, que varias pessoas me disseram mas eu prefiro nao acreditar e pensar nisso pois nao quero.acredita que nunca tive qq tipo de envolvimento.nao me peças para te tirar da minha cabeça pois nao sou capaz. queria um ultimo beijo, queria muito. mas nao o queres, respeito. a lingerie que me deste nunca mais fui capaz de vestir, nao sei pk mas nao consigo. era para ti.peço-te que tenhas juizo, acaba o teu curso, nao desistas do teu futuro.se te quiseres afastar de mim e encontrar-te cmg uma ultima vez, eu gostava.pediste-me para nao ir mais ao teu trabalho no teu horario e vou fazer isso. nao quero que tenhas qq problema por minha causa.nao te chateies com ninguem por minha causa.nao é decisao nem vontade minha de deixar de te falar e sair da tua vida. mas se o quiseres terei de fazer e respeitar.se nunca tivesse aparecido na tua vida nunca tinhas tido tantos problemas. desculpa. nunca tive essa intençao nem fiz de proposito.nunca te esqueças que fui sempre verdadeira ctg, em tudo. caguei para o que as pessoas possam pensar. mas perdoei-te tudo e para mim apenas conta o bom que passei ctg. fui muito feliz mesmo.desculpa se alguma vez te fiz infeliz ou pressionei.nao te esqueço. es importante para mim e sofro com os teus problemas. ha pessoas que nao valem a pena qq perdao mas nao tenho qq raiva de ti e como te disse perdoei tudo. fica descansado que nao tenho qq ressentimento.ai nao queria parar de escrever mas tem de ser. ja deves estar a apanhar uma valente seca posso pedir-te um foto tua? nao é para mal nenhum. apenas par poder olhar para ti de alguma forma.quando mudares de casa e nao me quiseres dizer onde é, acredita que nao te vou perseguir para saber.cuida de ti!! descansa!! come, que de certeza que nao tens comido nada de jeito. eu conheço-te.um beijo muito grande onde quiseres. um abraço muito apertado. vou deixar-te algo que um dia escrevi e guardo:a saudade aperta, sufoca, estrangula-me as veias que estao prestes a explodir. o ar falta-me e a respiraçao torna-se cada vez mais ofegante.nada faz sentido...ocupo a cabeça com tudo o que posso mas nada me distrai o pensamento. ha um tempo atras estava lá, e tudo era perfeito. uma amalgama de sentimentos bons, uma sensaçao de cumplicidade. loucuras passadas entre olhares , toques e mais do que algum dia poderia ser passado. mas a perfeiçao nao existe e é passageira.o sentimento de alegria e cumplicidade foi-se desvanecendo como as nuvens aos sabor do vento. tudo se tornou estranho, impossivel e triste.mais dificil é esquecer e muito mais complicado é encontrar uma nova felicidade. nao, nao ha igual, parecido talvez, mas nunca vai voltar a ser o mesmo e o tempo nao volta atras. voava mas cortaram-me as asas.o cheiro voltou a entranhar-se, a sensaçao nunca saiu e o sonho permaneceu.sinto que um punhal me atravessa o corpo e que a minha alma de escapa lentamente pois ja nada faz sentido. aqui só a solidao e o silencio reinam imperiosamente e ficou apenas a saudade. é dificil viver a realidade. mais dificil é esquecer um sonho.o impossivel tomou conta de mim.
amo-te

16 de novembro de 2009

O Homem Social

Considero que o título desta mensagem representa todas as pessoas que me aborrecem com estigmas sociais. Isto pode parecer um cliché e certamente pensarão: "lá vem mais uma treta de conversa acerca de remar contra a maré ou ser diferente, ou da irreverência e trá-lá-lá...". Não é bem isso. Também eu tenho máscaras, como saberão os dois ou três leitores (sinto-me optimista hoje) das linhas que habitualmente decoram este sítio. Também eu sou, à minha maneira, um habitante da sociedade. Contudo, tento sê-lo sem exageros. Os preconceitos irritam-me e levam-me a pensar até que ponto o cinismo pode ser uma forma de vida (estranha, lembrando Amália, já que está in fazê-lo). Todos temos algumas barreiras, essencialmente profissionais, que não nos permitem libertar o máximo do nosso sadio potencial durante o dia. Apesar disso, não vejo motivos para levarmos essas barreiras para um jantar de amigos, por exemplo. Aproveito para "desenferrujar" o meu latim e lembro a máxima in vino veritas na qual eu acreditaria piamente se em vez de vinho falássemos de sexo. Bom, na verdade, se pudesse ser sexo depois do vinho eu não me limitaria a acreditar, antes construiria toda uma seita à volta desta ideia, tamanha é a verdade que ela encerra.
Aproveito sempre jantares ou situações de convívio para testar os limites dos que me rodeiam. Naturalmente faço-o de forma subtil. Experimentei algumas vezes falar do assunto "sexo", até mesmo com pessoas que conheço menos bem e apesar de toda a informação existente hoje, consigo sempre ver algumas faces a ruborizar, especialmente de senhoras, mas também de senhores. As senhoras, habitualmente, fingem não gostar do tema, mas lá vão perguntando a medo "como é que sabes isso?"ou dizendo à minha mulher uns venenosos "Tens que ter cuidado com o teu marido, que ele é especialista!" Os senhores, começam por gostar do tema, mas à medida que vão deixando de conseguir acompanhar a minha conversa, por desconhecimento ou timidez, começam a ficar chatos e a querer mudar de conversa, com medo que as suas companhias achem que, atendendo ao meu conhecimento profundo da matéria, eu seja um "nobel" na cama, o que não tem que ser necessariamente verdade. O melhor treinador do mundo (na minha opinião) nunca, enquanto jogador, foi além da mediocridade. Também é verdade que a maior parte das mulheres com quem falo, por muito que até quisesse (que eu duvido) provar um pouco do mel, teria medo de o fazer por preconceito ou por achar que lhes ia propôr algo tão estranho que elas não se sentiriam bem consigo próprias a fazê-lo. A verdade é só uma: o Homem Social é um tédio. A maior parte das pessoas com quem falo não sabe o que significa nenhuma destas coisas ou conceitos: dildo, strap-on-dildo, bbw, milf, gang-bang, saphic erotica, bondage, fuck-machines, real doll, podolatria -podia continuar a noite toda - e nem sequer conhecem uma das minhas estrelas porno preferidas (pela graça que tem) - Bridget "the midget". Nomes como Rocco Siffredi, John Holmes, Silvia Saint ou Jelena Jensen, não lhes dizem nada. Não estranho. Mas tenho vindo a descobrir que à medida em que a conversa vai subindo de tom nestes jantares onde eu disparato, lá se vai descobrindo que afinal há um ou outro nome que não é assim tão estranho, mas que ninguém quer admitir que conhece ou sabe. É este preconceito é que não percebo.
Se todos fôssemos um pouco mais honestos connosco próprios talvez pudéssemos permitir-nos um pouco de diversão da boa e da barata. Eu sonho com o dia em que depois de um magnífico repasto, entre amigos, o convívio perdure pela noite dentro. Eu diria, no final do jantar, um descontraído "E se tirássemos todos a roupa, só para ver o que acontece?" et voilá a orgia acontecia, naturalmente. E o mundo seria certamente um lugar melhor (suspiro).

E.T.: E pronto, lá arranjei maneira de não ter ninguém a jantar em minha casa nos próximos tempos.

13 de novembro de 2009

Lema de vida

Lemas de vida, máximas e conselhos só servem para quem os tem ou dá.
Passei algumas vezes por momentos de inigualável tristeza. A minha vida ainda não foi longa, espero estar ainda no primeiro terço. A minha mãe repreende-me sempre que eu brinco com temas como a Morte ou Deus, dois temas que me são caros: o primeiro porque o enfrentarei, é ínequívoco, o segundo porque é um equívoco, o maior da humanidade. Um dia virá em que me encontrarei frente a frente com a morte, e sairei certamente derrotado. Com Deus, não tenho a mesma certeza, jamais estaremos frente a frente. Não se pode enfrentar algo que não existe.
Dizia eu que sofri algumas tristezas. Todas com algo em comum: pareciam sempre muito piores que a anterior. Decidi, porque ninguém decide de mim a não ser eu, pese embora ter levado anos a entender isso, que as tristezas iam acabar. Ora, não se consegue acabar com espécie nenhuma de coisa, sem se saber a sua origem. Tentei perceber o que motivava a tristeza que sentia, pensei nisso dias e noites a fio. Não sei quanto às tristezas dos outros, mas as minhas, havia apenas uma coisa que as motivava: a perda. A perda de alguém quue nos deixou, a perda de tempo, a perda de uma rotina boa, a perda de alguém que tivemos que deixar para trás, a perda de algo ou alguma coisa, mas sempre a perda. Nunca mais passei por tristeza nenhuma.
Eliminei a perda eliminando a posse. Escolho nada possuir, nem ninguém, e não deixar que ninguém me tenha realmente. Não perco nunca. Não me lembro da ultima vez que me senti triste. Também não significa que ande sempre eufórico de alegria. Mas sou feliz controladamente. Como com a maior parte dos meus sentimentos. Efectivamente, não me considero posse de ninguém, não no sentido rebelde e romântico do conceito, mas no sentido de não estar preso a estereótipos. Também entendo, com justiça, que ninguém me pertence. Os meus amigos não são meus, não me devem nada, não há exigências. Sabem que não têm que passar tempo comigo, nem têm que me ligar no aniversário ou no Natal para serem meus amigos. A minha mulher é livre. Pode ir embora quando quiser, não me deve nada. O prazer de a ter comigo enquanto ela quiser basta-me. A verdade é que vivo sem laços e isso agrada-me.
Em duas fases etárias diferentes da minha vida, os meus melhores amigos nessa altura morreram. Quais seriam as probabilidades? Um morreu a voltar da escola, em frente ao pai, que nunca mais voltou a ser o mesmo: caiu para trás com a mochila às costas e partiu o pescoço (explicado de forma grosseira). O outro morreu no sofá de sua casa quando lhe rebentou uma veia no cérebro (mais uma vez, tecnicamente pode ter outro nome, mas foi mais ou menos o que aconteceu). durante alguns anos tive receio de ter um novo melhor amigo. Parecia trazer comigo uma maldição.
Sempre lidei de uma forma discreta com os meus sentimentos. Desde que deixei de ser criança que se contam pelos dedos de uma mão as pessoas que me viram chorar ou simplesmente triste, e talvez tivéssemos ainda que cortar um ou dois dedos dessa mão. Não me orgulho da proeza, porque ela é mais egoísmo que outra coisa. Se não houver laços não há perdas. Uns poderão alegar que se não me entregar às emoções não vivo de verdade. Talvez. Mas eu vivo bem a minha parte. Li algures que passamos cerca de 20 anos da nossa vida a dormir. Nesse campo posso afirmar que vou aumentar, se a Morte não me atraiçoar, o meu tempo de vida em 10 anos. Durmo metade do tempo. Vivo mais.
Chegamos por fim ao meu lema de vida: não perder tempo com tristezas e pessoas que nos levam a elas e acima de tudo, tentar não dormir muito, é um desperdício. Simples. O resto vem naturalmente.

9 de novembro de 2009

Roupa de Inverno

Resolvi fazer umas alterações ao velho modelo do UATAFAK.
Espero que gostem. Estou aberto a sugestões.

3 de novembro de 2009

1ª Resposta

Querida Morgana,

Recebi com agrado, mas sem surpresa, a tua carta. Sabia que depois de dois meses não poderias aguentar muito mais tempo. Não entendas estas linhas como descarada falta de modéstia. Sei que não aguentarias porque não está na tua índole, na tua boa índole, a incerteza e a falta de respostas. Sabia que de todas as dúvidas, de todas as perguntas, "porquê?" seria a que mais te tem assombrado. Não te posso responder directamente a essa pergunta. Pelo menos Hoje.
Não posso também, no entanto, deixar de referir algo que talvez te espante: não o fiz por ter deixado de te amar. Amo-te ainda e cada vez mais.
Os dias estavam a ficar estranhos para mim. Tens razão acerca da minha solidão, o teu ciúme é inteiramente justificado. Prefiro estar sozinho a estar contigo. E respondo já à pergunta que acabaste de fazer baixinho: não sei porquê.
Quando perguntas porque te deixei, estás a ser hipócrita. Não queres saber porque te deixei, mas sim porque deixei de te amar, porque era isso que receavas. E agora estás confusa, mais do que nunca, porque sabes que não deixei de te amar. Apenas preciso de estar só, não com outras pessoas, mas só. Sei que te perguntavas se eu aproveitaria este tempo para estar com outras pessoas. Duas coisas que te vou dizer e não quero voltar a repetir: eu vou aproveitar este tempo para estar só; e tu deves aproveitá-lo como bem entenderes, não quero saber.
Preciso de pensar e tu, apesar de não perceberes, também precisas. Mas aproveita para pensares se me amas realmente? Estranhas a pergunta? Pensa nisso. Aproveita para pensar o que é para ti o amor e se é o que sentes por mim. Vais ter tempo para pensar, não planeio voltar tão depressa.

Aguardo notícias ponderadas.

Ainda teu,

Goth

2 de novembro de 2009

1ª Carta.

Amor,

Escrevo-te porque a saudade dói e vejo, nestas linhas, uma forma de me anestesiar. Não sei porque partiste. Ainda hoje não sei porque partiste. Tenho pensado nisso sem descanso. Porquê? Lembro-me de te perguntar vezes sem conta porque andavas tão calado. Lembro-me de ver esmorecer, dia após dia, o brilho dos teus olhos. Lembro-me de te sentir, na cama, fazer amor comigo até deixar de ser amor. Passaste a satisfazer-me "maquinalmente". Hoje, olho para trás, e penso que foste como um peixe a quem tirei a água. Foste perdendo cor, brilho, desidrataste da vida do teu corpo, como da água, o peixe. Martirizo-me todos os dias por não ter percebido que estavas a sofrer. Mas como podia ter percebido? Amo-te e, como sabes, esse sentimento não nos deixa ver, nem mesmo o óbvio. Bom, talvez não saibas. Talvez não me tivesses amado. Nunca entendi o teu amor pela solidão. Nunca quis, talvez, entender porque rejubilavas sempre que tinhas oportunidade de ficar só. Acho que apenas só consegues ser tu, em pleno. Estou enganada? Diz-me se estiver. Sei que nunca me enganaste, e apenas me senti traída pela solidão que tanto amas. Tive ciúmes.
Custou-me perceber que, por vezes, preferias a solidão à minha companhia.
Mas ainda te amo. Lembro o dia em que me deixaste. Como se fosse hoje, ali estás tu, à porta, com as malas prontas a dizer-me que devo viver a minha vida sem ficar presa a ti. Que a nossa relação para ti continuará viva, que manterás o teu compromisso para comigo, mas que não poderias nunca exigir-me o mesmo, que não seria justo. Não entendi. Lembro-me de te pedir para continuarmos a falar, de te perguntar se podia entrar em contacto contigo quando quisesse. "Sim, mas só por carta" foi a resposta, enquanto anotavas a morada. Desde esse dia que olho todos os dias para aquele estúpido "post-it" amarelo.
Bom, aqui estou eu. Aguardo notícias tuas.
Sinceramente tua,
Morgana

25 de outubro de 2009

Curiosidades

Não há homem, macho, eu diria, que se preze, que goste de se prestar ao ridículo através de actos ou, mesmo, indumentárias envergadas. Não há macho "à séria" que aceite que o ridicularizem na sua masculinidade. Contudo, socialmente vão surgindo situações em que os machos tendem a fazer um exercío de ridicularização própria, e pior, perecem muito satisfeitos com isso. Passo a enumerar:

1- Jogos de futebol: um clássico da ridicularização masculina. Experimentem chamar cornudo, na rua, a um brutamontes com 1,90m de altura e 100Kg de peso. Se sairem da experiência ilesos é porque, ou correm muito depressa, ou o tipo é surdo. Contudo, durante um jogo de futebol, de preferência da Selecção Nacional de qualquer país, é vê-los com chapéus rídiculos com chifres na cabeça, guizos a tilintar, maquilhagem na cara, aos saltos e todos satisfeitos quando finalmente reparam que estão a ser filmados e estão a aparecer naquela figura nas televisões do país inteiro. Muito macho.

2- Carnaval: outra situação que já vai sendo um clássico em Portugal. Porque é que homens de barba rija, que absorvem cerveja como esponjas, usam palito no canto da boca e cospem para o chão à mesma velocidade de um tique nervoso, insistem, ano após ano, em vestirem-se de mulher durante esta festividade, e andarem trôpegos em cima de saltos altos. Pior ainda, não se limitam a vestirem-se como mulheres, mas como prostitutas rascas. Deveras masculino.

3- Confrarias: este não será ainda um clássico mas corre o risco de se tornar um, e rapidamente. Não são raras as vezes em que num jornal televisivo, quando a verdadeira notícia escasseia, aparece alguém a noticiar o encontro da confraria "x" ou "y". Existem confrarias para quase tudo: a da feijoada, a da tripa à moda do porto, a do Vinho do Porto, a da Cerveja, etc. Todas elas confrarias de uma área da gastronomia ligada ao verdadeiro macho. Não me lembro de alguma vez ver, ou ouvir falar, da confraria do Tofu, do Eclaire de Café, ou dos Cereais Fitness.
Contudo, sempre que vemos imagens dos confrades, é vê-los todos satisfeitos com enormes "togas" de veludo e "abat-jours" com berloques na cabeça, sorridentes enquanto dissertam, junto de uma jornalista, acerca das maravilhosas propriedades da cerveja. É de macho. Deviam acabar as entrevistas com um sonoro arroto.

9 de outubro de 2009


ADIVINHEM QUE VOLTOU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!